CARLOS BRUNNO SILVA BARBOSA
( Brasil – Rio de Janeiro )
Nasceu em Barra do Piraí (RJ), tornou-se poeta quando residiu em Valença (RJ),
é professor de Português na E. M. Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis (RJ), de redação e literatura no Centro de Ensino Serrano, também em Teresópolis (RJ) e promove e participa de eventos em diversos lugares do Brasil. É autor de 9 livros, possui diversos prêmios literários estaduais, nacionais, internacionais com poemas, contos, microcontos e crônicas, e é autor do blog “Diários de Solidões Coletivas”.
I COLETÂNEA POÉTICA DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO
BRASIL construindo pontes. Dilercy Aragão Adler (Organizadora).
São Luis: Academia Ludovicense de Letras – ALI, 2018. 2978 p.
ISBN 978-85-68280-12-6 No 10 353
LATINO
Lá
Levaram meu ouro, minha jazidas de sonhos e mataram
parte de minha rebeldia.
Ainda assim, carrego comigo toda riqueza perdida nos olhos
sem brilho cheios de fantasias.
Trago em meus sorrisos mais naturais todas as inconfidências
tolhidas e dores incidentais.
Imagino sempre vinganças vãs e nunca cumpridas contra
meus exploradores ancestrais.
O passado é um legado de sangue, dor e ingloriosa conquista
que nunca deixo para trás.
Tino
Latino é um ser assassino em potencial incapaz de assinar
qualquer forma de vida.
Ainda que a fúria incontida incendeie os olhos e a rotina,
infinita é apenas a fumaça dos dias.
Tenho a faca da revolução nas mãos, mas apenas acaricio
suas lâminas com amor e hesitação.
Impossível negar o clamor guerrilheiro, mas a
guerrilha aberta só se manifesta
Nas trincheiras internas, nos confins do coração descompassado
pelos fracassos diários.
O inglorioso legado de ser nativo explorado implode
meu corpo que desfila
Sem brilho e pacífico no meio da violenta multidão.
A CIDADE LATINA DOS NÁUFRAGOS
Ainda ontem mataram mais uma pomba da paz
Que passeava inocentemente pelas estradas da vida
Cantando músicas de conciliação
Para a população faminta e oprimida
De nossa cidade latina, ainda gripada com o vírus da farda
Trajada e disseminada por golpistas ancestrais.
Hoje os culpados são pegos aclamados por seus discursos de
preconceito
Nas vias públicas e redes sociais virtuais.
Hoje os culpados são pegos, mas quem vive preso é o bom senso,
Encarcerado nas celas do retrocesso de uma nova e poderosa
Alcatraz.
Ainda ontem espancaram mais um defensor dos humanos direitos Que pensava inocentemente que haveria respeito
A vida de todo ser vivo que caminha pela cidade latina em
busca de paz.
Enquanto o mundo se mata pela estável economia,
Aqui explodem granadas sobre os defensores do direito à vida
pacífica;
A discussão estúpida mais popular é se devemos ou não nos
matar.
Hoje a febre é verde e amarela e mata-nos um pouco a cada
dia;
A doença se alastra por ruas e avenidas.
A falta de razão e de cortesia é agraciada
Pela nação violenta e enlouquecida.
Ainda ontem chorei de saudades pelos tempos cerebrais
Que os anos e a internet não trazem mais.
Hoje a vida acuada me visita,
Aflita com as novas notícias falsas e as vozes assassinas,
Com medo que novamente nos arrombem as portas
E marchem contra sua existência divina.
Declamo-lhe então essa vã poesia
E, mesmo refém do mesmo receio que a exila,
Abro a porta de casa pra vida.
A morte, popularizada, compartilhada e querida,
Ronda armada a vila e ameaça minha acolhida.
— Nesse continente insensato de nossa sociedade latina,
A vida e eu agora somos uma náufraga ilha...
SAN VICENTE DOS CONVALESCENTES
Era um imenso coração sangrando
Que avistei em teus olhos castanhos
Indispostos pra vida ou pra morte
Com uma dor de nada que tudo invade.
Era o monstro de uma sina sem sorte
Eu vi nossa doce ilusão mancando
Depois do tiro e do golpe.
A América latina, com consciência,
É outra vez um gigante que adormeceu
Nas camas sitiadas de San Vicente,
Governada pelos demônios e suas cruzes.
Nas praças plácidas de San Vicente,
As velhas estátuas armada de sobrenomes
Assistem a seus novos varões aclamando
Por mais rancor entre os ricos e os pobres.
Os livros de Historia eles já rasgaram
E o que era sonho vivo desfaleceu.
Enquanto tu suspiravas
Por uma estrada nova pra San Vicente,
Os porcos cercavam tua avenida,
Mantendo a América convalescente.
Agora vejo velhos barões gritando
Por um novo circo cada vez mais torpe.
*
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Página publicada em março de 2025.
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